Crise Humanitária no Iêmen
- 30 de jan. de 2018
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Originada das tensões no Golfo pérsico entre a maior potência xiita e a maior potência sunita da região, respectivamente, Irã e Arábia Saudita, a crise humanitária presente no Iêmen entra na pauta do Conselho de Segurança das Nações Unidas em caráter de urgência. Em agosto de 2016 a mesma organização já alegava violações aos Direitos Humanos por ambos os lados do conflito. Entre as armas utilizadas, podem ser constatados ataques a áreas residenciais; uso de minas terrestres e bombas de fragmentação; atiradores e drones contra a população civil; detenções; assassinatos; recrutamentos de crianças; e ordens de despejos. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, a partir do começo de 2017 cerca de 18,8 milhões de pessoas (69% da população do país) precisavam de algum tipo de ajuda humanitária.
Iniciado em 2015, o conflito no Iêmen surgiu através da insurreição dos houthis, grupo iemenita de orientação xiita, apoiado pelo Irã, que teria alegado discriminação por parte do presidente AbdRabbuh Mansur Al-Hadi, de orientação sunita. Fora assim iniciada uma revolta e tomada de regiões do país, incluindo a capital Saná.
A revolta dos houthis motivou a formação de uma coalizão entre a Arábia Saudita e outros governos sunitas da região, apoiados pelos Estados Unidos e Reino Unido. Os bombardeios frequentes no Iêmen são resultado do que seria na prática, um conflito entre Irã e Arábia Saudita.
É possível observar a presença de outro agravante no território iemenita: a presença ativa da Al Qaeda e o aumento da influência do Estado Islâmico.
Recentemente, em resposta a um ataque com mísseis balísticos dos houthis próximo ao aeroporto de Riad, a coalizão liderada pela Arábia Saudita fechou as fronteiras do Iêmen e suspendeu a ajuda humanitária no país.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas fora então informado por um funcionário da Organização (ONU) durante uma sessão de portas fechadas sobre o ocorrido. Após o anúncio, o Conselho solicitara à coalizão que abrisse portos e aeroportos para entrega de ajuda humanitária.
Devido à pressão internacional e o apelo da ONU contra o uso da fome como arma de guerra, no final do mês de dezembro do ano passado, o governo saudita liberou parcialmente os portos para entrada de navios comerciais e humanitários.
Apesar da parcial abertura, as violações aos Direitos Humanos continuam sendo praticadas por todos os lados do conflito. Iranianos violando o embargo de armas para os houthis e ataques a civis por parte da Coalizão, liderada pela Arábia Saudita.
A situação em que se encontra o Iêmen está sendo caracterizada pelas Nações Unidas como possível maior crise de fome das últimas décadas. 90% dos alimentos do país são importados, assim como todo combustível e medicamentos.
Referências e sugestões para os que desejam se aprofundar no tema:
http://veja.abril.com.br/mundo/entenda-a-complexa-guerra-que-ja-matou-10-mil-noiemen/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/iemen-enfrenta-maior-crise-de-fome-das-ultimasdecadas-diz-onu.ghtml
http://www.bbc.com/news/world-middle-east-34011187
https://www.theguardian.com/world/2017/dec/28/saudi-led-airstrikes-yemen-war-united-nations
https://www.nytimes.com/2018/01/12/world/middleeast/iran-yemen-saudi-arabia-arms-embargo-un.html


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